Diabéticos são beneficiados com o consumo da farinha de banana verde

A farinha de banana verde é uma excelente aliada à prevenção e controle da diabete. Além disso, atua como prebiótico, possui sabor neutro e pode ser utilizada em diversas preparações.

A banana é uma fruta tão popular no Brasil, que muitas pessoas acham que seu plantio começou por aqui. Não se sabe ao certo a origem da banana, mas acredita-se que sua origem seja oriental. O que se sabe com certeza são os benefícios que a frutinha proporciona ao organismo. Fonte de fibras, vitaminas C e do complexo B, e minerais como o magnésio e potássio, a banana é excelente para atletas, pessoas que possuem problemas digestivos, para combater a famosa TPM (tensão pré-menstrual), e evitar episódios de câimbras.

Quer ainda mais benefícios? Consuma a fruta antes do processo de maturação. Impossível comer a banana verde? Realmente, em sua forma in natura não é uma boa ideia, mas com o preparo correto torna-se uma aliada e tanto da saúde, pois é rica em amido resistente, um tipo de carboidrato, que possui comportamento fisiológico semelhante ao da fibra solúvel, pois não sofre degradação no intestino delgado.

“O amido resistente é um tipo de carboidrato que consegue passar por todo processo de digestão sem sofrer hidrólise (quebra enzimática), isso proporciona diversos benefícios para o organismo, como controle da glicemia, equilíbrio da microbiota intestinal e maior sensação de saciedade”, explica Natália Dourado, nutricionista consultora da Nutricêutica Alimentos Funcionais.

Durante algum tempo, a fruta verde, passou por diversos testes no laboratório de química e bioquímica do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), para que os pesquisadores encontrassem uma forma de elaborar um produto para aproveitar os benefícios do amido resistente e também que fosse prático para utilização. O resultado foi a farinha de banana verde, que é comercializada a cerca de dois anos, em lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação.

Farinha de banana verde e a diabete

Como o amido resistente não é digerido no intestino delgado, ele chega intacto ao intestino grosso e lá é fermentado pelas bactérias colônicas, produzindo substâncias que são benéficas não só para a microbiota intestinal, como também para o organismo como um todo, pois equilibra dois pontos muito importantes: o pico de glicemia e o mecanismo de insulina.

Os níveis de glicemia no sangue devem sempre estar equilibrados para evitar o desenvolvimento da diabete. Por exemplo, a concentração de glicose no sangue em pessoas saudáveis, logo pela manhã após jejum de cerca de 10 horas, é entre 80-90mg/100ml. Quando se consome um alimento essa concentração aumenta, porém, duas horas após o término da refeição não deve ultrapassar 140ml/100ml.

Em outras palavras, a nutricionista Natália Dourado, explica que ao ingerirmos carboidratos, ocorre um aumento da glicemia sanguínea, e que o organismo tem um tempo de resposta para voltar o índice à normalidade, de até duas horas após a ingestão deste alimento. Cada alimento possui um índice glicêmico diferente e pode ser transformado em glicose de forma rápida ou lenta. “A insulina é o hormônio responsável pelo equilíbrio de açúcar no sangue, porém, sua produção em excesso devido a altas cargas de glicose, é responsável por outros problemas, como o acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal”, completa.

E onde entra a farinha de banana verde nesta história? É simples. Como o amido resistente presente no alimento, não sofre digestão nem absorção, comportando-se como se fosse uma fibra solúvel, ele gera uma maior sensação de saciedade, além de ser um carboidrato de baixo índice glicêmico, não causando grandes picos de glicose e consequentemente, grande carga de insulina. “Por ser fermentado no intestino grosso o AR (amido resistente) influencia no aproveitamento energético dos alimentos, portanto, ele interfere na resposta glicêmica e no metabolismo da glicose ocasionando um menor pico glicêmico pós-prandial”, explica a nutricionista da Nutricêutica.

A longo prazo, o aumento de glicemia pode causar lesões em tecidos e vasos sanguíneos, infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência renal crônica e cegueira. “O consumo da farinha de banana verde é excelente tanto para prevenir a diabete tipo 2, quanto para evitar o avanço de quem já sofre com o problema”, afirma Natália.

O índice glicêmico

Em 1981 o dr. David Jekins, pesquisador da Universidade de Toronto, no Canadá, propôs o método do índice glicêmico (IG). Funciona da seguinte forma, os carboidratos ingeridos transformam-se em glicose ao serem digeridos, entretanto, o efeito no organismo varia de acordo com sua capacidade em elevar a glicemia. Assim, a proposta foi utilizar o IG dos alimentos para auxiliar na prescrição de dietas para diabéticos, evitando o consumo daqueles classificados com índices altos.

Intestino protegido

O amido resistente da farinha de banana verde também é extremamente benéfico à microbiota intestinal. Por ser fermentado no intestino grosso, principalmente por bifidobactérias (bactérias da microbiota do intestino), esse tipo de carboidrato tem ação prebiótica, ou seja, estimula e ativa o metabolismo de bactérias benéficas ao trato intestinal. “O poder prebiótico deve-se aos produtos da fermentação colônica sacarolítica, que gera os Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC), onde 83 a 95% são constituídos por acetato, propionato e butirato. Estes contribuem para as necessidades energéticas diárias das bactérias da flora intestinal, além de estimularem o fluxo sanguíneo”, esclarece a nutricionista da Nutricêutica.

Essas bactérias benéficas também são capazes de produzir algumas do complexo B, que são necessárias para o desempenho de algumas funções essenciais do organismo.

Vitamina B1: a substância é essencial para diversas funções do organismo, como a liberação de energia do álcool, carboidratos e gordura, e para a saúde dos nervos e músculos. Também pode funcionar como repelente natural de insetos, graças a sua composição química, que produz compostos que exalam cheiro característico, capaz de afastá-los.

Vitamina B2: é responsável por muitas ações do corpo, principalmente para disponibilizar a energia dos alimentos, transformando os lipídios, proteínas e glicídios. Participa do processo de crescimento de crianças e restauração e manutenção dos tecidos.

Vitamina B6: necessária para liberar a glicose armazenada, produzir proteínas, niacina e triptofano. Esses processos são necessários para a formação do sangue, crescimento e proteção contra infecção.

Vitamina B12: fundamental para a fabricação de DNA e RNA das células. Também participa da formação das células vermelhas, na manutenção dos revestimentos que protegem os nervos e na utilização do ácido fólico.

Niacina: composta por ácido nicótico e nicotinamida, necessários para produção de energia das células. A nicotinamida participa das ações das enzimas, incluindo o metabolismo dos ácidos graxos, respiração dos tecidos e para expelir toxinas.

Ácido Fólico: tem papel importante em conjunto com a vitamina B12, dividindo rapidamente as células e produzindo DNA para cada uma delas. Também ajuda a manter a função do sistema imunológico e há evidências de que ela protege as artérias por diminuir a homocisteína no sangue.

Biotina: necessária para a produção de energia dos alimentos, para a síntese de gorduras e excreção de resíduos de proteínas.
A nutricionista também ressalta que outro fator importante é o fato de os AGCC produzidos durante a fermentação do amido resistente geram um aumento da tolerância à glicose na refeição posterior.

Receitas

A farinha de banana verde é muito prática e como possui sabor neutro, pode ser utilizada em diversas preparações como substituta à farinha de trigo, e também adicionada diretamente em alimentos como sucos, saladas de frutas, iogurtes e até mesmo diretamente em um copo de água. A recomendação diária de consumo são 10 gramas, o que equivale a uma colher de sopa. A nutricionista Natália Dourado sugere algumas receitas como sugestão para usar o produto.

Bolo de Farinha de Banana Verde

Ingredientes:
1 ovo grande caipira ou orgânico
¼ de xícara de açúcar mascavo light
1 xícara de farinha de banana verde
1 xícara de farinha de arroz integral
1 xícara de chá verde
¼ de xícara de óleo de canola ou soja
1 colher de sopa de levedo de cerveja
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Bananas cortadas em rodelas

Modo de Preparo:
Antes de iniciar esta receita, ligue o forno (180°C). Bata o ovo com o açúcar, acrescente o óleo e misture bem. Em seguida, acrescente o chá e as farinhas. Bata por 3 minutos até ficar homogêneo. Após bater bem, acrescente o fermento em pó. Bata por mais 2 minutos. Coloque numa forma untada com óleo de canola ou soja, adicione a massa, acrescente por cima as rodelas de banana e asse até dourar.

Pão de Farinha de Banana Verde

Ingredientes:
50 g de extrato de soja
400 g de farinha de banana verde
100g de creme de arroz
2 tabletes de fermento biológico
20 g de levedo de cerveja
1 copo de iogurte natural
300 ml de água
2 colheres de sopa de melaço de cana
200 g de aveia em floco grossos
200 g de gérmen de trigo
100 g de cereais
100 g de frutas secas
400 g de farinha de trigo

Modo de preparo:
Misture todos os ingredientes e deixe crescer por cerca der 20 minutos. Asse em forno quente e sirva quando esfriar.

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